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Poemas
Poemas

 

 

360 - Bençãos

 
Foto: Shark
 
Bênçãos
 
Bem hajas, ó luz do sol
Dos órfãos gasalho e manto,
Imenso eterno farol
Deste mar largo de pranto
 
Bem hajas, água da fonte,
Que não desprezas ninguém:
Bem-haja a urze do monte,
Que é lenha de quem não tem.
 
Bem hajam rios e relvas,
Paraíso dos pastores!
Bem hajam aves das selvas,
Musica dos lavradores!
 
Bem haja o cheiro da flor
Que alegra o lidar campestre;
E o regalo do pastor,
A negra amora silvestre!
 
Bem haja o repouso à sexta
Do lavrador e da enxada:
E a madressilva modesta
Que espreita à beira da estrada!
 
Triste de quem der um ai
Sem achar eco em ninguém!
Felizes os que tem pai,
Mimosos os que tem mãe!
Tomás Ribeiro

361 - A Dança

 
Foto: Shark
 
A DANÇA

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio 
ou flecha de cravos que propagam o fogo: 
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva 
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, 
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo 
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, 
te amo diretamente sem problemas nem orgulho: 
assim te amo porque não sei amar de outra maneira, 

Se não assim deste modo em que não sou nem és 
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha 
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda

359 - Água corrente

 
Foto: Shark
 
ÁGUA CORRENTE
 
Água clara da corrente
Que vais tu a lamentar?
São lembranças da nascente
Ou pressa de ir ter ao mar?

Correndo, correndo,
Sem nunca parar,
Em busca do rio, 
Caminho do mar, 
De noite e de dia,
A água a correr,
ao rio irá dar,
Ao mar há-de ir ter.

Que dizes tu ribeirinho?
Que dizes, que eu não te entendo?
Não te cansas no caminho,
A toda a hora correndo?

Lava roupa à lavadeira,
Põe a azenha a trabalhar,
Não vás assim de carreira,
Tens tempo de ver o mar…

In Livro de leitura da 4ª. classe edição 1931
 
 

358 - Pregões de Lisboa

 

Foto: Shark

Pregões de Lisboa


Manhã cedo. O sol dourado
A tudo vai dando cor:
Há já vida na cidade
Já nela se ouve rumor

Vendedores ambulantes
Começam a aparecer
Vamos lá ver, ó fregueses
O que trazem p’ra vender

Oito horas. À nossa porta
Passa agora a tia Chica
Com sua voz compassada
Apregoa: «Fava rica»

Lá vem também a peixeira
Com seu trajo pitoresco,
Dizendo: «Oh! Viva da Costa»
Ou então «Carapau fresco»

E agora, de toda a parte 
Se ouve gente que apregoa,
Gritando: «Quem quer laranja,
Quem compra laranja boa?...

«Merca o cabaz de morangos…»
«Século. Noticias. Voz…»
Oh! Boa amora da horta…»
«Quem quer ameijoas p’ra arroz?»

«Erre, erre, mexilhão…»
«Oh! Pescadinha marmota…»
«Compra o raminho de flores…»
«Oh! Figos de capa rota…»

E com a lata no braço
Fresquinha qual fresco arroio,
Passa linda vendedeira,
Cantando: Oh! Queijo saloio…»

E tudo lá vão deixando,
P’la cidade, os vendedores.
Mas, para ganhar a vida
Que canseiras, que suores!

“Pregões de Lisboa”, autor anónimo in Livro de leitura da 3ª classe 1950/51
 
 

356 - Sonho

 
Foto: Shark

Sonho

Sonho-te amor na madrugada:
O meu nome murmuras com doçura
A tua boca em minha boca desesperada
Teu corpo em meu corpo uma loucura

Segredas-me o amor do tempo antigo
Em silêncio guardo os meus desejos
E peço à vida apenas não me negue
O calor da tua boca teus doces beijos

Sonhei como quem sonha um poema
Sonhei como quem sonha a primavera
Desfaleço ao acordar sem teu sorriso
Choro a dor que o meu peito encerra.

Braços vazios e coração despedaçado
Tendo por companhia a pouca sorte
Sou a tristeza, a nostalgia, a saudade
E sinto em mim o gélido frio da morte
 

355 - Chegou num abraço a madrugada

 
Foto: Shark

Chegou num abraço a madrugada


Chegou num abraço a madrugada 
Envolta em languidez tamanha
Trazendo, vinda não sei de onde
A cadência de uma sinfonia estranha

O brilho das estrelas reluzindo
Desce do céu em doce companhia
Sendo os teus olhos, a luz que alumia
Que aquece e incendeia, a minha poesia

Esta amizade que entre nós flutua 
Cúmplices, vivendo de um amor antigo
Eternamente presos a uma só verdade

Embora longe sinto, estás comigo
Quero-te tanto mesmo não sendo tua
Meu terno amor, minha infeliz saudade
 

354 - Tela de Pintor

 
 Foto : Shark 

Tela do Pintor



Na imensa solidão do Alentejo
Em tardes salpicadas de saudade
Recordações de ti já tão distantes 
Acodem ao meu peito tão presentes

E mesmo na escuridão da noite
Nas horas tristes deste madrugar
Qual pintor cogitando as cores
Invento a doce luz do teu olhar

Nas cores da paleta desta tela
Que teimo dia a dia em recriar 
Misturo a amargura e a saudade 

E vou vivendo assim da nostalgia
Desta tristeza que persiste em mim ficar
E sonho fantasias de encantar
 
 

353 - Ninguém

 

Foto: Shark


São para ti
estas palavras meu amor
Dizer-tas desta forma
É meu castigo 
Vivi,
Sonhando contigo a vida inteira
E agora que te encontrei
só posso chamar-te
Meu Amigo.
 
 

352 - Arco da Velha

 
Foto: Shark
Arco de vella

Arco de vella, arco de vella,
ponnos o ceo limpo e azul.
Arco de vella, riso das nubes,
as sete cores fillas da luz.

A vermella está no viño,
nos beizos e nas cereixas,
nas fazulas dos rapaces
e nas feridas das guerras.

Vive a laranxa no lume,
parte o nome coas laranxas,
tingue o cabelo do sol
cando o sol toca as montañas.

A amarela anda no mel,
no millo e mais no centeo,
no sol e nas bolboretas,
nas follas que tira o vento.

Corre a verde polos prados,
repousa nas matogueiras,
está na pel das mazás,
vive no limo das pedras.

Azul e anil van no mar,
as dúas son mariñeiras.
Azul gusta de voar
e case toca as estrelas.

Violeta anda nas flores
e recende coma elas.
É unha cor moi delgadiña,
case se perde na néboa.
Marica Campo, Lourdes Maceiras, Helena Villar Janeiro


351 - Poeminha do contra ou.... Talvez não!

 

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
Mário Quintana
 
 
 

350 - Felicidade

 

 
Onde estás Felicidade

Que nunca te encontrei

A tantos já ouvi

Falar tão bem de ti

Mas se és boa não sei

Onde estás Felicidade

Que não te chego a ver

Cruzaste já por mim

Mas nem sequer assim

Te deste a conhecer

À minha porta um dia

Bateste que alegria

Por saber que me procuravas

Feliz só por te ouvir
Correndo fui abrir

Mas tu já lá não estavas

Quantas vezes perguntei

Como és Felicidade

Sentir-te quem me dera

Eu estou à tua espera

Felicidade onde estás?
 
 
 

349 - FUMO

 

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…


Florbela Espanca
 
 

348 - O Poeta e a Rosa

 


Ao ver uma rosa branca
O poeta disse: Que linda!
Cantarei sua beleza
Como ninguém nunca ainda!

Qual não é sua surpresa
Ao ver, à sua oração
A rosa branca ir ficando
Rubra de indignação.

É que a rosa, além de branca(
Diga-se isso a bem da rosa...)
Era da espécie mais franca
E da seiva mais raivosa.

- Que foi? - balbucia o poeta
E a rosa; - Calhorda que és!
Pára de olhar para cima!
Mira o que tens a teus pés!

E o poeta vê uma criança
Suja, esquálida, andrajosa
Comendo um torrão da terra
Que dera existência à rosa.

- São milhões! - a rosa berra
Milhões a morrer de fome
E tu, na tua vaidade
Querendo usar do meu nome!...

E num acesso de ira
Arranca as pétalas, lança-as
Fora, como a dar comida
A todas essas crianças.

O poeta baixa a cabeça.
- É aqui que a rosa respira...
Geme o vento. Morre a rosa.
E um passarinho que ouvira

Quietinho toda a disputa
Tira do galho uma reta
E ainda faz um cocozinho
Na cabeça do poeta.

Vinicius de Morais